quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

#23.Couscous de quinoa ultra proteico/Protein rich quinoa couscous

[English version below]

Vegetarianos de todo o mundo, uni-vos. Restos de geladeira em estado terminal? Pois vamos transformá-los num maravilhoso couscous de quinoa.  A idéia aqui é substituir o tradicional milho pela quinoa, a salvação da desértica pátria dos sem-proteína animal. Porque quinoa é vida, e vida que fica pronta em 20 minutos. Esse couscous é rápido e fica belo, muito belo, e gostoso, muito gostoso.
A receita aqui é pra 1 pessoa que esteja desesperada - sim, foi baseada nas minhas quantidades pessoais de fome-de-máquina-de-cortar-grama depois da corrida.  Se forem duas as pessoas pra comer, e se elas não tiverem nesse estado de lama, acho que esse tanto de couscous é razoável e dá pra segurar a onda.

Andiamo! Você vai precisar de:

1/3 copo de quinoa
1/2 copo de grão de bico cozido
1 dente de alho esmagado
1 colher de sopa de azeite de oliva
1/3 do vidro de molho de tomate
 1/5 de couve-flor cortada em pedacinhos minúsculos
(você pode substituir por brócolis, abobrinha, cenoura, pimentão ou o legume que você quiser)
nozes
uma pitadinha de açúcar
sal
os temperinhos que você gostar - pimenta do reino, alecrim...
um punhado de rúcula

Como fazer:

Numa panela coloque a quinoa pra cozinhar com um pouco de sal e 2/3 copo de água.
Em outra panela esmague o dente de alho e deixe fritando um pouquinho no azeite de oliva. Coloque o grão de bico, o couve-flor, os temperinhos e o sal, e junte um pouquinho de água pra não queimar.  Deixe no fogo por uns dez minutos e depois coloque o molho de tomate com o açúcar. Deixe o molho preparando por mais uns dez minutos, sempre adicionando água pra não ficar muito grosso.  Jogue a quinoa dentro do molho e deixe mais uns minutinhos, misturando bem, e por fim jogue as nozes. Sirva com a rúcula crua em cima do seu prato.

Trilha sonora pra preparar esse rango:



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Vegetarians of the world, unite!
You get home late and check refrigerator. Sad vegetables saying goodbye to their golden fresh days? We can work it out - let's transform them into a protein-rich quinoa couscous. The idea behind this recipe consists of replacing the corn couscous with quinoa, thus adding protein to your everyday life in quite an easy way. Well, by following the instructions below you're gonna end up with a huge portion that can feed either 1 very, extremely hungry person or two not-so-desperate-reasonable-human-beings. As I'm always starving, don't think I'm reasonable enough and I usually doubt if I do really belong to the realm of human beings, I fit in the first category - this portion was based on my personal needs and on the lunch I made myself today.

Andiamo! Ingredients:

1/3 glass of quinoa
1/2 glass of cooked chick peas
1 clove of garlic (crushed)
1tbsp olive oil
1/2 cup of tomato sauce
1/5 cauliflower chopped in small pieces
 (but you can replace it with your favorite vegetable - zucchini, broccoli, red pepper, carrot...)
1 tsp sugar
salt
your favorite spices
rocket leaves


Boil the the quinoa in one separate pan with 2/3 glass of water and a little bit of salt.
While you're waiting for the quinoa to cook, pick up another pan and throw the olive oil and the garlic inside. Add the chick peas, the cauliflower, salt and spices with a little bit of water to prevent it from burning. Leave it on the fire for 10 minutes and then add the tomato sauce with 4 spoons of water, and leave it boiling for 10 minutes, and then put the quinoa (it might be already cooked at this point) inside it.  Mix it properly and then serve with the rocket leaves on top of it.

If you listen to this while you're cooking, I'm sure the food will get even better:



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

#22. Comida indiana vegeta/Vegetarian Indian food

(English version below]

Saravá, amigo Caio, há tão pouco tempo experimentando o mundo vegetariano e já trazendo alegrias pro pessoal que não aguenta mais comer o mesmo pão com queijo! 
Pois bem - esse post vai com o patrocínio do meu amigo querido, recém vegetariano e apaixonado pela comida indiana.  É que foi o Caio que me mostrou hoje o site dos sonhos: comida indiana vegeta, com todas as receitas apresentadas pela maravilhosa Manjula - que, aliás, já começa a apresentar cada uma com um Namastezão, jogando a good vibe nos telespectadores.
Vou testar aqui e vos contarei os resultados em breve.
Namastê, companheir@s!

www.manjulaskitchen.com

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God bless my friend Caio - he's been flirting with the vegetarian world for not so long, but he has already come in our behalf to save us from the boring cheese-and-bread vegetarian diet...  Indian vegetarian food, each recipe presented by the cook - Manjula - herself -, carefully preceded by a Namaste in order to send your food the good vibes.  Who needs more?

www.manjulaskitchen.com


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

#21. Stereomood

[English version below]

Para aqueles que não conhecem, aí vai meu melhor amigo (logo depois da bicicleta): o Stereomood.
Sou humilde, mas seletiva nas amizades, e essa companheira aqui consiste numa estação de rádio que prepara pra você uma lista de músicas a partir do seu humor.  As opções cresceram e estão maravilhosas: tem coisas tipo "jantar à luz de velas", "fazendo faxina", "estudando", "amante intergaláctico" e tudo o que você puder imaginar -  mas todas as opções em inglês.
Eu adoro o "yoga" pra praticar, mas sou apaixonada pelo "instrumental", "peaceful" e "reading", que seguram minha onda nesses dias de ficar horas trabalhando.  O Stereomood é maravilhoso, e todo mundo pra quem eu apresentei se apaixonou.  Créditos devidos, quem me apresentou este amigo foi a Janes, lá dos outros lados do Atlântico - gracias, hermanita.

Se joga na felicidade e na terceirização musical: www.stereomood.com

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If you still haven't met him, let me introduce you to my second best friend, the guy that comes after after the Bicycle in my list: that's Stereomood.
I have to say I'm quite picky when it comes to friendships, and Stereomood is such a great character for you to meet.  That's an internet radio station that prepares you a playlist according to your mood. There are great themes such as "candlelit dinner", "space lover" and cleaning... but I'm personally crazy about the "Yoga", "instrumental", "peaceful" and "reading", to which I always come back in the endless hours of paper-writing alone in the winter.  Just as I'm introducing it to you, I got to know it through another friend of mine, who lives in Brazil and has such an incredible musical taste: thanks Janes!

Here you have the link - enjoy!: www.stereomood.com

#20. Enciclopédia de yoga

Da última vez que fui ao Brasil acompanhei minha mãe na aula de yoga dela.  Ela pratica duas vezes por semana numa academia lá em Curitiba e adora o professor, que é daquelas pessoas tão doces que dá vontade de embrulhar num pacote de sonho de valsa.
Ela sempre fala dele, e vive dizendo que volta e meia ele tá em Mariscal fazendo uns cursos com um cara chamado "Pedro", aparentemente chileno e surfista.
Pois pesquisei e descobri: ele chama Pedro Kupfer, é uruguaio, pratica há um tempão e escreve pro site www.yoga.pro.fr - que eu, aliás, já corri pra colocar na lista de links aí do lado.  O site é especialmente legal pra quem quer começar a praticar yoga e não sabe qual delas escolher, pra tirar dúvidas sobre o vocabulário e jargões yogis - pranayama, mudra, nyama, yama, ujjai, bandha e etc -, pra entender os principais debates que rolam hoje dentro dessa cena, ficar por dentro de cursos e workshops... Eu mesma fiquei com vontade de conhecer o Pedro e fazer um prática com ele em Mariscal, que no fim das contas também é uma praia linda.
Pra quem vive na Europa: ele vai dar um monte de workshops em Portugal daqui a pouco.  Dá uma olhadinha lá no site, vale a pena:

www.yoga.pro.br

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

#19.Entrar no paraíso pedalando: guia pra viajar de bicicleta pela Suíça, parte 2

[Esse post é a continuação da parte 1, publicada no dia 7 de fevereiro. Pra dicas completas sobre viagem de bicicleta na Suíça, leia as duas publicações]


Enroscada nas frestas entre o estar e ao mesmo tempo partir, a vida é um passeio de bicicleta.
Se você morrer e tiver uma opção de transporte pra ir até a luz, escolha a bicicleta. 
E se você continua viva e quiser escolher um caminho pra felicidade, pegue uma ciclovia suíça e saia pedalando.

***
Como são as ciclovias na Suíça?
Aqui na Suíça as ciclovias são asfaltadas, mas você certamente vai encontrar trechinhos mais curtos que  não são pavimentados [informações precisas sobre sua rota você encontra lá no site www.veloland.ch].  O sistema de ciclovias é genial e gigante justamente porque não foi construído como uma alternativa às estradas - ele está dentro ou integrado a elas. Às vezes você pedala por uma ciclofaixa demarcada no asfalto, outras vai por uma ciclovia separadinha e paralela, e de vez em quando a plaquinha te manda pegar à direita, você simplesmente desvia e entra num parque para depois retomar a estrada lá na frente. Em qualquer dessas opções, o que acontece é que os caras aproveitaram mesmo a gigante malha viária suíça pra que você possa conhecer o país de bike.  Só que mais: ao construir as milhares de rotas ciclísticas, o pessoal resolveu indicar as estradas que atravessam as paisagens mais bonitas, algumas onde não passa carro e que cortam sitiozinhos no meio do nada, ou ainda caminhos pavimentados minúsculos que seguem os rios nos vales entre as montanhas. Você está pedalando na estrada e de repente pluft! está no meio de uma catedral em Sion, pra depois descer descer descer e dar de cara com a vista de uma cadeia montanhosa toda nevada na região do Valais.  Stricto sensu.
Na estrada, não se preocupe: os motoristas suíços são super cuidadosos. Mas eu não gosto de dar mole, por isso não pedalo de noite - o que, na verdade, não é lá uma grande limitação.  No verão o sol se põe às 10 da noite.

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Com que bicicleta eu vou?
Uma coisa importante que às vezes a gente esquece: a bicicleta é um veículo. A gente não encara uma trilha de lama com um Ka, não vai na padaria de trator e dificilmente dará uma voltinha de Vespa na Sibéria. Em diferentes graus, é a mesma coisa com a bicicleta.
Primeira lei: a não ser que você vá pedalar bem pouquinho - digamos lá, uns 20 km -, não vá de city bike, essas bicicletas urbanas que muitas vezes não têm marcha. As dobráveis também se incluem nessa categoria. Ir com essas bikes é sinônimo de perrengue - elas foram feitas pra ajudar na nossa locomoção na cidade, não pra explorar o mundo.
Mountain bikes, muito populares no Brasil, não são a melhor opção porque afinal de contas você vai estar andando só no asfalto, e as mountains são pra trilha, mais robustas e pesadas, com pneus grossos.  Mas se não tiver jeito, vá lá!  Você vai suar mais, mas o importante é pedalar.
Se você quiser ir longe, longe, procure uma bicicleta gostosa e leve. Há bicicletas pra cicloturismo ou híbridas - com um pneuzinho um pouco mais fino, e nas quais você pode colocar um alforge e levar sua bagagem.
Eu não sou um bom exemplo e costumo ir com uma road bike, essas bicicletas de corrida que têm um pneuzinho fino, são levíssimas e correm pra dedéu (é que eu adoro realmente pedalar essas bikes em que você quase se funde com a máquina...). Elas são feitas exclusivamente pro asfalto, mas a minha e a da minha companheira de trilhas já encarou muita estrada de chão (miraculosamente) sem furar o pneu.
Você pode trazer a sua bici pra cá ou alugar aqui. Nesse site eles te dão dicas de como empacotar a bike no avião, e aparentemente não é assim tão hardcore:
Para alugar bike na Suíça:
Para escolher sua bicicleta:

***
O que levar num passeio de bicicleta?
Quanto mais leve, mais livre.
Eu tenho uma mochilinha bem pequena que eu levo quando passo final de semana - caso a viagem seja de um dia, vou com aquelas blusinhas de ciclista e enfio tudo nos bolsinho de trás.
Não esqueça: documento de identidade e dinheiro.
[Uma vez, por exemplo, eu bati a 30km/h num vaso, estraguei toda a bicicleta e tive que voltar de trem.  Sem dinheiro, tive que extorquir minha companheira Carol - lama amadora, eis o pior que pode te acontecer].
Comidinhas - banana e mix de castanhas com frutas secas são ótimos. Parar pra fazer piquenique em beira de lago é uma delícia.
Não seja besta: pare para comer e tomar uma cerveja nos restaurantes que estão pelo caminho, assim sua viagem vira uma exploração da cultura suíça também.
Água é vida, e na Suíça a água é potável.  Nas cidadezinhas ao longo da rota você vai encontrar um monte de fontes gratuitas pra encher sua garrafinha.
Nunca esqueça um bom capacete.
Nunca esqueça luvas e corta-vento levinho -  a ventania aqui não é brincadeira, meus amigos.
Sempre tenha um mapinha ou iphone na mão.  Efeito placebo nunca é demais num país estrangeiro.
***

Algumas fotinhas:


Exemplo de ciclovia: flores, cachorro e pedestre




Uma das milhares de pontes lindas que a gente atravessa no meio da ciclovia



Paisagem de um rio cinza (!) no meio da rota


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Se você quiser pedalar pela Suíça e precisar de mais dicas, só escrever um comentário pra mim aqui. 
E mais uma vez: tudo que está aqui foi de alguma maneira aprendido, compartilhado, vivido, sofrido, e/ou aproveitado com a Carol - minha amiga-irmã, companheira de ciclismo e aventuras.  Namastê, Caroles.

Todas as fotos por/no celular de CAROL.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

#18. Música pro carnaval dos amigos exilados na Europa/Music for the Brazilian friends who have to spend their carnival stuck in the European winter

[English version below]

Hoje é dia carnaval. E eu adoro carnaval.
Mas meu carnaval é de exilada, e de exilada no inverno tenebroso.
Então vamos ouvir música.
Só que música de carnaval deprê não pode ser nem muito triste, senão a gente se joga pela janela, mas nem muito feliz, senão dá vontade de matar alguém quando olha pro céu e tá aquele cinzão.
Então vamos para a solução: músicas épicas, mei-mísitcas e bem lindas, porque na falta da rebolation só nos sobra a metafísica. Viva o auto-conhecimento - seja no bloquinho, seja na chez vous!
Feliz carnaval a tod@s.
[Ah! Os vídeos são lindos, viu?]
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Today is carnival in Brazil.  And I actually love playing around in the carnival...
But I'm in this self-exile. And while carnival is in full swing back in Brazil I'm trying to cope with this endless winter here.
So let's play some music today.
But watch out: in the carnival you have to be specially careful about the kind of music you're choosing to listen to.  If you go too melancholic you risk to throw yourself away from the window - yet don't go way too happy neither for you might get confused and quite angry when you find out others back in Brazil are having the best time of their year and you're stuck with a grey sky.
So I chose for you two half-mystical, highly epical, quite beautiful songs.  If you don't have carnival, then try metaphysics with me.
Have a happy carnival everyone!


Flaming Lips - Do you realize?


Bjork - Unravel



Spiritualized - Soul on Fire







quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

#17. Entrar no paraíso pedalando: guia pra viajar de bicicleta na Suíça, parte 1

El diámetro del Aleph seria de los dos o tres centímetros, pero el espacio cósmico estaba ahí, sin disminución de tamaño. Cada cosa (la luna del espejo, digamos) era infinitas cosas, por yo claramente la veía desde todos los puntos del universo...... vi la circulación de mi propia sangre, vi el engranaje del amor y la modificación de la muerte, vi el Aleph, desde todos los puntos, vi en el Aleph la tierra, mi cara y mi vísceras, vi tu cara, y senti vertigo y lloré, porque mis ojos habían visto ese objeto secreto y conjetural, cuyo nombre usurpan los hombres, pero que ningú hombre ha mirado: el inconcebible universo.Sentí infinita veneración, infinita lástima." (El Aleph, Jorge Luis Borges)

O ciclismo no post-mortem
A gente morre e vê a luz – bem longe, bem longe. A gente caminha e ela continua pequenininha; cada centímetro do caminho é uma passagem da vida com todas as coisas que ela contém, até chegar no segundo final em que você encontra a luz a ela se funde no tempo presente da morte vivida, e o presente é a consciência condensada de tudo que você é e viveu – voilà, você ganhou o passaporte pros ladosdelá.  Você caminha, e todo centímetro contém o mesmo que o Aleph do Borges, todos os acontecimentos que você viveu vividos dentro de você mesma, mas você assiste agora dentro e fora de você. Todas as pessoas e todas as sensações, incluindo a cãibra que você sentiu no pé naquele dia da quinta série, o cheiro do seu cabelo quando você saiu do banho em 4 de janeiro de 1986, o olho vermelho de cloro da sua primeira vez na piscina e também o olho vermelho de todas as outras primeiras vezes: da primeira vez que você viu alguém morrer, do seu primeiro beijo, da descoberta do sexo do outro; da primeira vez que você assistiu alguém que você amou dormindo do seu lado e pensou que nunca mais queria sair dali. Quentinho da lágrima mais chorada da infância na sua bochecha esquerda, bem na voltinha do nariz, e ela vem junto com aquela sensação horrível do brinco furando sua orelha quando você ainda era bebê e sua mãe achava que você não sentia nada, nem dor nem alegria
Se você vai andando, nunca mais vai chegar naquela luz lá longe.  De carro nem pensar – ir pra luz de carro é a morte mais sem poesia que pode existir. De motocicleta pra quem gosta – à la Easy Rider -, vá lá, ou de trem.  O melhor veículo, aquele com a velocidade perfeita e a sensação física do vento na cara e do corpo que não saiu do planeta Terra e que ainda se esforça joelho acima pra continuar – o melhor veículo pra passar pro lado de lá é definitivamente a bicicleta.
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Porque
A vida é um passeio de bicicleta.
Se você morrer e tiver opção, escolha a bicicleta. 
E se você continua viva e tiver que escolher um caminho pra chegar na luz, escolha uma ciclovia suíça e saia pedalando. 
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Pergunte-me como
Ao que interessa: a Suíça é um paraíso pra quem quer fazer turismo em cima da bicicleta.  Imagine um país minúsculo, cheio de paisagens lindas, montanhas nevadas, vaquinhas pastando, lagos e rios cor de turquesa, e tudo isso atravessado por um sistema de ciclovias gigante e super organizado. Multiplique sua imaginação por mil.  É isso.
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Quando: mas faz frio, então é preciso escolher.  Primavera, verão e comecinho do outono (bem comecinho) ainda dá; o inverno é longo, nem pense (já testei todas as estações com minha compnaheira de ciclismo e tivemos o pé traumaticamente congelado nos primeiros quinze minutos do outono). Em termos calendáricos, isso significa:
- Abril, maio e junho, quando ainda é friozinho-fresquinho e você caminha no meio das flores (ou da chuva, viu?, porque chove bastante nessa época!)
- Julho, agosto, setembro: é calor, mas à medida que chega perto do outono vai ficando espetacular, com as folhinhas vermelhas forrando árvores e chão por todos os lados.

Pra onde ir? Suíça-maravilhosa, pensamento de gavetinhas etiquetadas: há um site oficial contendo TODAS AS ROTAS de bicicleta ao longo do país.  Segure na mão de Deus – se quiser fazer ciclismo na Suíça, se agarre nele com todas as forças quando vier pedalar por aqui: www.veloland.ch
Pra começar, há 9 rotas nacionais maravilhosas  e muito bem sinalizadas – cada uma tem um número (1, 2, 3, 4…) e você vai literalmente seguindo as plaquinhas. Essas rotas nacionais têm aproximadamente 400 quilômetros cada uma e são temáticas: a rota 9 te leva pra um circuito de vários lagos da Suíça, a 8 faz você seguir o (lindíssimo!) rio Aare e assim por diante.  Há rotas mais difíceis, com montanhas e trechos de terra, e há rotas mais tranquilas, planinhas e generosas.  Tudo isso você encontra nesse site – e vale mesmo a pena olhar direitinho. Já subi montanha e realmente, companheiros, subir montanha de bike na Suíça é para pessoas com muito amor no coração.
Com 400 km, as rotas nacionais são longas, mas elas também estão divididas em várias seções de 20, 30 km cada.  Você pode fazer um ou dois ou três ou quatro pedaços da rota, e depois simplesmente parar, pegar o trem e voltar pra cidade onde você está, e aí sair de novo no outro dia – sim, você pode levar sua bicicleta no trem (o preço do ticket pra bike viajar de trem ilimitadamente durante um dia é de 14 francos suíços, mais ou menos 11 euros).
O sistema de trem é maravilhoso na Suíça, e se você estiver em algum lugar central do país (Berna, Zurique, Genebra, Lausanne), não se preocupe que você encontrará condução pra sua casa.  Pra qualquer dúvida, o site dos trens suíços é este:
Ou você pode dormir e continuar no outro dia, e nesse caso utilize esse maravilhoso site insider com alojamento estilo bed & breakfast ao longo de toda a Suíça:
Além das rotas nacionais, há também regionais e locais, mas elas são um pouquinho mais chatinhas porque às vezes eles sinalizam o caminho com placas invisíveis.  Ou enfiam as placas visíveis em lugarem invisíveis, não sei (a rota regional 50, por exemplo, eu já tentei umas três vezes – sempre me perco). Enfim: experimente as nacionais primeiro, e depois parta pras rotas alternativas, baby.

Seja suíço, consulte a previsão do tempo: se vier pedalar, um dia antes de sair para o seu passeio consulte a previsão do tempo no www.meteosuisse.ch.
E sempre tenha uns 3 planos de passeio no bolso pro caso do tempo estar ruim pra um deles.
Se eles disserem que tem vento, acredite, treine a humildade e passe pro passeio plano B ou C.  Ou se prepare pra ralar o tcham: com vento o passeio fica pelo menos 50% mais difícil.
O mesmo vale pra chuva. 

Fotinhas

Exemplo de plaquinhas das rotas na Suíça


Pedalando em abril: nossas bicicletas encontrando descanso num dia dia de primavera.

No meio da rota 8, lá na Suíça profunda. Amigas, bicicleta, a ótima sinalização suíça

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Amanhã continuo esse post, que já está grande demais, com dicas de bicicleta, o que vestir, o que enfiar na mochila/alfoje etc.
E não posso deixar de dizer: tudo que está aqui foi de alguma maneira aprendido, compartilhado, vivido, sofrido, e/ou aproveitado com a Carol - minha amiga-irmã, companheira, querido presente recebido dos céus por Deus para viver os melhores momentos na Suíça.  Namastê, Caroles.
Todas as fotos por/no celular de CAROL.