segunda-feira, 10 de junho de 2013

#30. Desligue o computador e ligue algo diferente/Turn off your computador, plug in something different

[English version below]

Qual foi a última vez que você passou dois dias sem entrar a internet?
Quanto tempo você já conseguiu passar longe da tela do computador ou do smartphone?
Pois amanhã eu vou pra Paris sem computador. Saio pra pedalar 1200km dentro de 4 dias pelo interior da França. A expectativa é passar 19 dias sem computador, pedalando e lendo "La Force de l'Âge", da Simone, checando email de vez em nunca no celular da minha companheira de viagem.

E a sensação de não ter essa conexão de internet não me deixa mas leve. Ela só é estranha e me dá medo, como se eu perdesse algo que fizesse parte de mim e sem a qual eu não conseguisse viver.
Talvez seja hora, eu digo pra mim mesma, de encontrar outras formas de fazer minha conexão com o mundo.
***
What was the last time you spent 2 days without checking the internet?
What was the longest period that you managed to spend away from your computer or smartphone?
So tomorrow I'll head back to Paris without my computer. I don't even have a smartphone. Putting together the preparation and the 1200km bike ride throughout France, I will be away from the computer 19 days in total. I expect to read Simone de Beauvoir's"La Force de l'Âge", which I'm happily carrying in my bag with me.

But the sensation of not having this internet connection doesn't make me feel lighter. It makes me feel weird and afraid.
It is probably time for me to reinvent new forms of connecting the world.

domingo, 26 de maio de 2013

#29. Seis meses pedalando na Patagônia

Fazer hiking na Patagônia em 2011 foi uma das melhores coisas que eu fiz na vida, e desde então eu faço meus planos de voltar. Depois de ler este relato de viagem, mais ainda:

sábado, 25 de maio de 2013

#28. Dream a dream with me: 1200 km de bicicleta na França

Começou sem nenhuma pretensão - eu chegava em Genebra em 2011 para o doutorado, e no primeiro mês conheci a amiga de um amigo. Ela, brasileira, tinha vivido em Brasília, estava aqui de passagem por trabalho e gostava de bicicleta.
Eu também gostava, mas estava acostumada a pedalar sozinha.  Nunca gostei da pressão dos pelotões de road bikers, que colocam a cabeça pra baixo pra aumentar a aerodinâmica e pedalam sem parar pra ver que o sol está nascendo atrás do lago. E embora o barulhinho dos quadros de carbono à passagem do pelotão sempre tenha soado como música nos meus ouvidos, e o prazer de pedalar em cima de uma road bike superasse o prazer de quase todo o resto das coisas que existem, nunca encontrei ninguém pra subir numa road bike como se estivesse indo fazer um piquenique no parque.
Então combinei de fazer uns pedais com a Carol.
* * * 
Era verão, o sol se punha às 10 da noite, e começamos a dar umas voltinhas em volta da cidade, duas horas pedalando depois do trabalho. O verão foi virando outono devagar, e um dia nosso pé congelou no caminho, voltamos antes e em seguida as bicicletas fizeram a longa viagem de esquecimento no inverno suíço. Cross my heart and hope to die, nos prometemos que em seis meses, quando o sol voltasse de novo na primavera de 2012, iríamos juntas dar a volta de 180km em volta do Lac Léman - esta coisa linda e cristalina que avança de Genebra a Lausanne, Montreux e a um monte de cidades francesas.
E assim, uma semana depois da páscoa de 2012, finalmente demos a volta no Lac Léman e logo em seguida em todos os outros grandes lagos suíços - Neuchatel, Interlaken. Percorremos a fronteira com a Alemanha e Áustria em torno do Bodensee, e daí pra diante conhecemos praticamente a Suíça inteira, entre milharais, cadeias montanhosas, trilhas seguindo lagos e rios e - muito especialmente - vaquinhas pastando com sininho no pescoço.
* * *
Com o tempo nossas engenhocas amadoras foram sendo substituídas por equipamentos mais técnicos e sem nor darmos contas fomos nos tornando cada vez mais parecidas com ciclistas normais. Melhoramos as bicicletas, arranjamos novos casacos corta-vento, instalamos uma infinidade de bolsinhos e porta-coisas nas vélos, aprendemos a consertar correias emperradas, mas nesses anos encontramos muito, muito poucas mulheres pedalando. E ao contrário dos meninos, quase nunca acompanhadas de outras mulheres.
Eu me acidentei batendo num vaso, ela se acidentou batendo numa cancela fechada. Tomamos chuva, passamos um frio desgraçado, ouvimos rock'roll rural em cima do selim, encontramos criações de lhamas em plena Suíça, vimos cabritos escalarem os lugares mais inesperados, caímos em todo tipo de festa bizarra local na Suíça alemã e uma vez tomamos esta cerveja que só pode ser bebida em dias de lua cheia.
Metáfora entre observar e estar presente, entre o estar e o partir, a vida é como um passeio de bicicleta.  E quando a gente tem sorte, existem companheiros pra dividir a viagem com a gente.
* * *
O próximo projeto é percorrer 1200km, saindo do norte da França, lá na Bretanha, até a fronteira com o País Basco, no sul. Desta vez eu e Carol vamos com carregamento - mochila e barraca, 15 dias de viagem, bicicleta de cicloturismo. Sairemos no dia 14 de junho de 2013 e esperamos chegar no dia 29 ao destino final.
O roteiro da viagem está aqui embaixo, e daqui pra frente esta história de preparações e de experiências vai ser contada aqui.
http://www.velodyssey.com/
Dream a dream with me.

terça-feira, 7 de maio de 2013

#27. Pedalando fácil em volta de Genebra: a rota 50

A Suíça, na alegria e na tristeza

A Suíça dói.
Não encoste sem querer em alguém no ônibus. Não fale alto. Não ouse atender celular no trem. Não pegue o elevador quando outra pessoa está dentro. E por favor, não perca tempo tentando olhar nos olhos de ninguém.
Na Suíça, especialmente nos seis meses de inverno, a gente aprende a respeitar o direito de cada pessoa à sua própria solidão.
***
Genebra também dói, mas de um jeito diferente.
Na cidade em que todo mundo é estrangeiro trabalhando nos corredores esterilizados das repartições públicas internacionais, sinais exteriores de afeto e manifestações públicas de dúvida são considerados impróprios à cidadã e ao cidadão razoáveis.
Benvindo ao mundo da razão e do planejamento, aos domingos intermináveis em que não se encontra ninguém na rua, aos happy hours diários com engravatados que por alguma razão mística só conseguem ouvir música ruim, às vitrines horrorosas piscando roupas cinzas e caríssimas, à cidade menos erótica do planeta.
Aprendi aqui que a monotonia é a principal causa da morte por sufocamento.
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A Suíça é o segundo paraíso, o Éden perdido.
Se você é ciclista, é o primeiro.
A vacina é feita do próprio veneno, e nas organizadas, sistemáticas e previsíveis ciclovias suíças construídas de asfalto perfeito, o silêncio é tão forte que parece que respirar é maior que a própria vida. Sem ruídos e sem surpresas, no alarms and no surprises, numa tarde de primavera sem ninguém você tem o privilégio de observar o tempo parando e assistir tudo como se estivesse num filme do lado avesso. Em cima da bicicleta, agora é você que se move num mundo em slow motion. Não existe nada, e a distância entre você e você mesmo, ou entre você e a montanha ou o lago desaparecem.
O mundo do direito humano a ser um indivíduo sozinho no espaço ocupado pelo próprio corpo e pelas próprias manias é estranhamente um mundo em que se pode chegar facilmente até esse lugar onde o ego se dissolve.
Os extremos se tocam?

A bicicleta, esta tábua de salvação

Tudo isso pra dizer, simplesmente:  se você tem que vir pra cá pra uma reunião num desses infinitos órgãos internacionais, se você está vindo morar destes lados, se você está chegando pra um dos estágios de três meses em OMC, ONU ou seja lá o que for em Genebra... A bicicleta pode ser sua melhor forma de meditação, ou a bicicleta pode ser mesmo sua bíblia, sua divindade, sua estratégia de salvação.  Pra mim foi e é.
Porque a Genebra dos infinitos tons de cinza é também o ponto de encontro de milhões de rotas de bicicleta. Hoje eu vou sugerir um passeio prático de duas horas na rota que eu mais gosto nos arredores de Genebra: a rota regional 50, que te leva pra pedalar na Suíça profunda dos sítios cheios de vacas com sininho e cidades pequenininas. Em outros dois posts desta série, vou sugerir mais umas duas rotas em torno de Genebra, assim você tem opção de escolha.

Primavera na rota 50: as vaquinhas deixam o confinamento do estábulo e saem pro pasto. Juro: elas parecem sorrir. Há um ano atrás - Abril, 2012

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Tudo que você precisa saber pra pegar a rota 50

1. O que é a Rota 50
A rota 50 é uma longa, longa estrada de bicicleta com 255km de distância. Ela começa em Genebra e termina em Olten, na Suíça alemã, passando por estradinhas muito estreitas no meio de sítios.  A maior parte dela é feita de asfalto, embora haja alguns poucos trechos de estrada de chão. Pra saber tudo sobre essa rota, dê uma olhada aqui: http://www.veloland.ch/en/routes/route-050.html
Se você gosta de cheiro de esterco, roça e vaca pastando, esta é a rota pra você.








Primavera na rota 50: no meio do caminho, uma plantação de tulipas selvagem "self-service". Você colhe suas flores e paga por elas deixando as moedinhas no caixa (esse barril "Caisse", aí na foto)

Só que 250km em bicicleta é muito chão. Você pode fazer uma parte dela e depois voltar pra Genebra - pedalar uma hora, digamos, e depois voltar. Se você estiver aqui entre a primavera e o verão (abril-setembro), o sol se põe entre as 9:30 e 10 da noite. Isso significa que você pode sair do seu trabalho/estágio, dar uma volta linda de bike, e depois ainda voltar pra tomar uma cerveja na beira do lago em Genebra. Eu já fiz isso mil vezes, por isso garanto que é possível.


Se você quiser fazer um passeio longo por ela, pegue um dia do fim de semana, siga a rota até onde der e quando cansar pegue o trem de volta pra Genebra. Tem muito trem, não se preocupe! Só não esqueça que, além do seu ticket, você tem que comprar o ticket pra sua bici - pra mais informações, o site da companhia de trem suíça é este daqui: http://www.sbb.ch/en/home.html

2. Qual bike? Como pegar a rota? O que levar?

Se for um passeio light de 2 horas, ida e volta, você pode ir com qual bike quiser: bici de cidade, mountain bike, road bike... Depende do que estiver na sua mão. Para passeios mais longos, de dia inteiro, realmente não recomendo a city bike, porque a postura do corpo é desfavorável para itinerário longo, a bici é lenta, tem poucas marchas e cansa rapidinho. Vira uma saga, não uma viagem de alegria.

Se você está aqui na primavera ou no verão, por poucos dias e não tem bici, não se desespere: você pode pegar uma emprestada nesta associação genebrina chamada "Genève Roule" (sim, literalmente "Genebra rola"). Por até 4 horas, o aluguel é grátis. É super fácil! Aqui está o site: http://www.geneveroule.ch/drupal/en/node/9

Para duas horas, leve com você uma garrafinha de água e um lanchinho - uma banana, uma barra de cereal, um chocolate... Mas antes de sair, olhe pelo amor de Deus a previsão do tempo na região: www.meteosuisse.ch

Essa rota não tem segredo. Saindo do centro de Genebra - a estação central chamada de "gare Cornavin" -, pegue a rua principal, "rue de Lausanne". Fique atent@; logo você vai ver umas plaquinhas azuis pequeninas penduradas no poste. Siga a plaquinha da rota 50 e voilà: bom passeio!

Exemplo de sinalização nas ciclovias suíças - essa, por exemplo, é (obviamente) a plaquinha para a Rota 8.

Por fim...
Na dúvida, pedale.
Porque quando você estiver na estrada, você vai ficar tão feliz que não vai querer estar em outro lugar. 
E porque pedalar aqui é fácil. Tão fácil quanto ir à padaria. 
Afinal de contas, a vida é como um passeio de bicicleta. 

***
P.S. De iniciante à fanática, meu caminho pelo mundo do ciclismo foi sempre acompanhado pela Carol, companheira de bike e doutora absoluta na arte de dizer Sim. Todos os posts de ciclismo são dedicados a ela: Namastê, Caroles!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

#26. A maravilhosa gororoba de quinoa, lentilha e grão de bico

Há uma semana fiz 33 anos. De aniversário, minha amiga Bibi me convidou para almoçar num restaurante natureba lindo lá de Genebra (http://www.auxdeuxportes.ch/). Pedimos o prato do dia, que na verdade é a única opção que existe lá. Tcham tcham tcham, morrendo de fome, o pedido está aqui, na bandeja da garçonete. Em porções pequenininhas, lá estavam elas, as comidas, dispostas lado a lado no mesmo pratinho: salada de bulbo de erva-doce com limão (ultra-detox), um cereal integral (orgo, com gostinho de arroz integral), e no meio do prato, em toda sua peculiaridade e esquisitice, o prato principal - uma Coisa cheia de ingredientes, dentre os quais eu só conseguia distinguir mesmo as lentilhas, perdidas no meio de uma maçaroca branca de outros cereais e legumes.

E esta Coisa, meus amigos, esta Coisa cujo nome eu desconheço... esta coisa era maravilhosa.

Eis, então, que inspirada pela inesquecível aparência da Coisa, resolvi preparar aqui em casa minha própria versão dela. Não se deixem enganar pela descrição aqui de cima - ela era linda, a apoteose máxima do alimento bem temperado, cheiroso, de consistência perfeita, de valores nutricionais intergaláticos... E foi assim, tentando imitar esta obra-prima - com a sensação que eu estava sentadinha no Museu d'Orsay, tentando compreender e imitar as obras de arte impressionistas -, foi assim que nasceu uma das minhas melhores invenções: a "Maravilhosa Gororoba de Quinoa, Lentilha e Grão de Bico".


Aí vai a receita, sempre aberta às suas variações.  Ela não é rápida, mas é um boost de proteína e de nutrição especialmente pros vegetarianos amigos... Serve duas pessoas esfomeadas ou três pessoas sensatas. Aproveitem e não se deixem intimidar: dentro de cada um mora um cozinheiro genial.

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Você vai precisar de:

- 1 colher de sopa de azeite de oliva
- 6 colheres de grão de bico cozido (eu cozinho em casa, mas você pode comprar pronto enlatado)
- 6 colheres de quinoa cozida (cozinhar quinoa é fácil e rápido: 1 parte de quinoa pra duas de água, fogo médio, 1 pouco de sal, 20 minutos de cozimento e voilà)
- 6 colheres de lentilha cozida (eu cozinho a lentilha com pedacinhos de cenoura, e fica ótimo. Para este prato, a lentilha tem que estar com uma consistência de feijão, com caldinho)
- 1 dente de alho pequeno esmagado
- 4 colheres de milho verde (mas você pode substituir por outro vegetal de mesma consistência)
- 4 champignons pequenos (mas você pode substituir por outro vegetal de mesma consistência)
- pimenta do reino e outros temperos que você gostar
- folhas de espinafre
- sal
- os temperos que você gostar (eu usei noz moscada e pimenta do reino)


Preparando:

 Veja: o prato é demorado porque envolve grão de bico, lentilha e quinoa cozidos. Tudo isto demora uma tempão para cozinhar, mas uma vez que estejam todos prontos, a preparação da gororoba é vapt-vupt.
Antes de tudo, esmague o grão de bico com um garfo. Misture-o com a quinoa e com a lentilha - você vai ver que os três juntos terão uma consistência interessante - não um caldo nem uma coisa farinhente, mas algo entre os dois, macio e firme ao mesmo tempo.
Coloque numa frigideira grande de teflon o alho, o cogumelo, o espinafre e o milho para dourar junto com o azeite de oliva. Coloque sal e temperos. Deixe até ficar bem quente, depois adicione a mistura de lentilha, quinoa e grão de bico. Acrescente um pouquinho de água e deixe esquentando em fogo baixo, mexendo para que o azeite temperado com o alho, o cogumelo e as outras coisas se misture bem com os grãos. Quando estiver bem quentinho, retire.
Eu servi com grão de bico cozido no vapor e com salada. Com arroz integral e salada também deve ser uma delícia.

quarta-feira, 20 de março de 2013

#25. Granola para garotas que estão em Paris ou em qualquer outro lugar/Ultra-delicious nuts&fruits&cereal mix

[English version below]

Foi num arquivo de Word, com este título mesmo - "granola para garotas que estão em Paris ou em qualquer outro lugar" -, que a Fatinha me mandou a receita dela. Esta, portanto, não é uma receita qulalquer, um daqueles meus experimentos de nova vegetariana em busca de uma comida gostosa. Não. Esta é a respeitável receita de uma mulher-maravilha, que entre médica e mãe das minhas grandes amigas e companheiras de picape em Brasília (as outras 2 Triplettes!), ainda aprendeu a cozinhar as comidas mais deliciosas do mundo pras filhotas vegetarianas dela. Sem dúvida a melhor granola que eu comi na vida: Namastê, Fatinha!

A Maravilhosa Granola da Fatinha

1-    6 xic cha de aveia com flocos grossos
2-    ½ xic de cha de castanhas (do Pará, de caju)
3-    ½ xic de cha de amêndoas
4-    ½ xic de cha de macadamias
5-    ½ xic de cha de nozes
6-    ½ xic de cha de amendoins
7-    ½ xic de cha de sementes de girassol
PS: os grãos não devem estar torrados

Misture esse ingredientes secos e adicione:
1 xic de cha de óleo de girassol, ou de granola, ou de outro de boa qualidade
1 xic de cha de mel
Misture outra vez.
Despeje numa forma grande retangular untada levemente com manteiga.


Coloque no forno a 220 graus Celsius pré aquecido e mexa de 5 em 5 minutos para não grudar.

Quando estiver dourada, retire do forno e adicione:
1-    ½ xic de cha de damasco cortados
2-    ½ xic de cha de uva passa clara
3-    ½ xic de cha de uva passa escura


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This is not one of my ordinary recipes, it is much more than that: that's the best fruit&cereal mix you'll ever eat. In fact, I have to admit this recipe is not mine, but Fatinha's - my friend from Brasília. Besides being an amazing doctor and the mother of two of my greatest friends (and DJ partners in our collective rockn'roll project "Les Triplettles", back in Brasília), Fatinha has also found time to create the best vegetarian food for her 2 girls who at some point have decided to stop eating meat. Namastê, Fatinha!

Fatinha's wonderful nuts&fruits&cereal mix

1 - 6 cups thick oat flakes
2 - 1/2 cup Brazil+cashew nuts
3 - 1/2 cup almonds
4 - 1/2 cup macadamia nuts
5 - 1/2 cup walnuts
6 - 1/2 cup peanuts
7 - 1/2 cup sunflower seeds
[Important: all raw, non-toasted nuts, please!]

Mix all the nuts and seeds together. Add 1 cup sunflower oil+1 cup honey.  Mix again and put the whole thing into a greased baking dish. Heat the oven at 220 Celsius and put the casserole inside.  Mix every 5 minutes to make sure it won't stick to the dish. When the mix turns into a golden color it means it is time to remove it from the oven. Add 1 cup raisins and 1/2 cup dried apricots and voilà! It is ready, delicious and healthy.

quarta-feira, 6 de março de 2013

#24. Truth's a pathless land: essa coisa chamada iluminação, parte 1 [Rajneesh/Osho]

Para os queridos Camila e Antônio

Acordando de sonhos intranquilos, custo a colocar o pé pra fora da cama. Já foi, agora são 10 da manhã e estou descendo e subindo as escadas do mundo. Café com leite em cima da mesa, o computador ligado em cinco jornais de hoje, rolo as notícias pra cima e pra baixo na velocidade precisa de cinco abas abertas que do lado direito da tela piscam bom dia em anúncios de tênis e de apartamentos. Estadão Folha The Guardian Le Monde The Independent, e enquanto uma notícia carrega, vou lendo a trezentas palavras por segundo que no dia de hoje o papa faz o último discurso, uma criança é curada da AIDS, pessoas choram no enterro de mais uma vítima da tragédia naquela boate em Santa Maria, e na coluna do Pondé que um amigo reparte comigo todas as segundas dá-lhe um texto sobre sexo, dinheiro, poder e pecado. Dou mais um golinho e passo para minhas três contas de email. Livros pra devolver, prazo de paper para conferência, as leituras da aula de quarta, minha passagem de trem pra Paris. O dia já começou, e enquanto me preparo para sair, lá está ela.  Perdida entre os pragmatismos das tarefas cotidianas, uma mensagem enviada por um amigo, só título, nenhum texto, explicações desnecessárias, e eu dou um pulo da cadeira.

: Truth's a pathless land

É?


***

Ládosladosdelá, no centro do meu mapa múndi, habita esse país chamado "iluminação". Destino final, última parada do metrô, um jardim maravilhoso no qual a gente entra como se fosse em imigração de país rico - mil perguntas, todas devidamente respondidas, seja bem-vinda, você passou no teste. Penso na iluminação como se fosse uma experiência mística transcendente metaforizada pelo despertar do Buda histórico: ele senta embaixo da árvore do quintal e só levanta depois de uma semana. Do lado de fora está tudo igual, um novo papa eleito, outra tragédia em outro lugar do mundo, as abas no computador jogando na cara mais e mais fotos ensaiadas nas páginas chatas das redes sociais. O que é diferente, agora, é que o Buda não sabe, simplesmente - ele sente em cada célula do corpo e em cada segundo que estamos morrendo e vivendo na mesma medida.  E por isso, só por isso, ele sabe que tudo é uma bobagem e que a única verdade é o amor.  Iluminação seria como abrir as cortinas do palco do mundo pra ver o teatro da vida rolando a partir dos bastidores, e daí sai uma paz que é ausência de angústia, desespero, ansiedade. A iluminação, portanto, seria um estado último de tranquilidade.

Eu quero chegar lá.

Acontece que ultimamente venho duvidando dessa idéia.  Desenhada assim, desse meu jeito, a iluminação é uma e só uma.  Ela tem um lugar no tempo e no espaço, um momento definitivo de redenção. Você chega lá e vira cidadão honorário deste novo território. Como ausência de conflitos, ela é estática e até um pouco chata, como naquelas imagens que a gente tem do céu, anjinhos tocando harpa e uma irritante música de elevador. Por que é que a iluminação pra mim tem que ser a ausência da contradição, do conflito, da ambiguidade? Por que será que eu não consigo ver na diferença inconciliável e irresolúvel, na falta de saúde e na síndrome do pânico, no cheiro tão orgânico e nosso de merda e esgoto, no corpo apodrecido do velho doente,  na barriga de catupiry, na música barulhenta e no mendigo louco da estação de metrô - por que não consigo ver nisto e nestes o êxtase transcendente da iluminação?, pergunta o alienígena foucaultiano que mora dentro do meu coração.

***

Essas perguntas vêm me atormentando de todos os lados nos últimos tempos.  Há uma lista de culpáveis, e sobre eles que eu vou falar na série de posts que começa agora.

O início foi há um mês atrás, quando assisto bobamente um documentário sobre o Rajneesh - aquele que no fim da vida troca o nome por Osho - e subitamente fico dias hipnotizada com esse cara.  Depois de assistir o filme 4 vezes passo para as palestras dele no youtube. Não, não gosto do colega, ridicularizo o fato de ele ter uma coleção de Rolls Roices e relógios caríssimos, e a maior parte das coisas que ele fala me dá nos nervos, soa filosofia baratíssima. Mas me impressiono pelo poder que ele teve nos anos 70, 80 e 90, quando moveu tantas pessoas prometendo que elas chegariam ao fundo de si mesmas se se liberassem de tudo e encarassem a existência como contradição, dentro e fora. E vamos lá: fico com o olho vidrado naquele bando de hippies vestindo laranja na Índia e depois no Oregon, nos vídeos em que eles aparecem gritando e se batendo, ou simplesmente em transe em volta do Rajneesh. Concluo que seja lá o que fizesse ou quão estúpido pareça o que ele diz, o fato é que a energia que esse cara movia em torno de si devia ser coisa de outra mundo.

Mais do que tudo, fico de boca aberta com dois personagens do filme.  Hugh Milne e Ma Anand Sheela estiveram à frente da construção do culto ao Rajneesh/Osho lá no comecinho, nos a1970.  Ela, secretária pessoal, ele, guarda-costas.  E para além das polêmicas que a envolvem, principalmente, o fato é que os dois são tão lúcidos que não tem como não pensar no que eles dizem.  E foi o que eu fiz, quando ela me colocou a pergunta imponderável e indizível: mas o que é, então, que você busca quando vai atrás de um mestre? Essa é a primeira pergunta. Você quer a iluminação? E por que - por que você quer se iluminar? E acima disso, o que você espera dessa iluminação, dessa experiência mística? Será que a própria vontade de se iluminar, a ambição de se dividir dos demais para estar com eles - será que isso que isso não é a antítese última da sabedoria?

Não tenho a mínima idéia de como responder, mas deixo vocês com alguns links antes de continuar falando sobre esse meu novo, maravilhoso quebra-cabeças-pesadelo, e para o qual eu não tenho nenhuma resposta, nenhuma sombra de resposta, só perguntas, imensas e infinitas.

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Trailer do filme:


Entrevista com a diretora:


Sobre o Rajneeshpuram - o controverso ashram do Rajneesh em Oregon: